Pokémon Go é só o começo da realidade aumentada, diz IEEE

9 de agosto de 2016 Blog, Novidades

O jogo para smartphones Pokémon Go colocou em alta a realidade aumentada. Mas para Todd Richmond, especialista em tecnologias disruptivas e membro do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE), o game é básico e só arranha a superfície dessa tecnologia.

A realidade aumentada, que adiciona camadas de informações à nossa visão normal por meio de smartphones, tem aplicações para diversos setores, incluindo linhas de montagem, hospitais, educação e, claro, jogos.

Diretor de protótipos avançados no Instituto de Tecnologias Criativas da Universidade de Southern California, Richmond atua em áreas como tecnologias imersivas, educação interativa e ambientes futuros para a comunicação.

Confira a seguir nossa entrevista com Richmond, sobre Pokémon Go e as possibilidades da realidade aumentada que o jogo traz à tona.

EXAME.com: Pokémon Go é um grande sucesso, mas, na sua visão, o jogo tira o máximo de proveito das possibilidades da realidade aumentada? Se não, o que foi deixado de lado? 

Todd Richmond: Pokémon Go é um jogo bastante básico de realidade aumentada, por isso apenas arranha a superfície do que ela pode fazer. Poderia haver muito mais conteúdo baseado em localização, bem como parcerias com outras empresas. Agora, o McDonalds parece estar pronto para um parceiro no jogo.

No futuro, os jogos provavelmente usarão uma combinação de localização por GPS, marcadores fiduciais e visão computacional para proporcionar uma experiência mais rica e mais inteligente para o jogador. O jogo vai saber não só local, mas detalhes sobre a área, e essas informações seriam dinâmicas, mudariam com o tempo.

Há algum tipo de risco para os consumidores que utilizam a realidade aumentada mais do que deveriam?

A tecnologia é uma outra oportunidade para distração, então, os usuários precisam prestar atenção aos seus arredores quando jogam. Além disso, há algumas ameaças de hackers mal-intencionados que criam “cópias” de jogos para estimular o download de aplicativos enganosos. Games baseados em localização podem também ser usados para atrair pessoas a locais em que crimes podem ocorrer.

Há ainda um risco mais amplo. Esses aplicativos podem ser mais um local para a publicidade onipresente e persistente, que pode não ser bem-vinda.

Agora que a realidade aumentada está em alta graças ao sucesso Pokémon Go, quais outras aplicações com essa tecnologia podemos aguardar? 

Certamente mais jogos e muita publicidade. A realidade aumentada será muito usada no ambiente de trabalho e em casa, oferecendo informações com contexto específico.

Podemos esperar ver dispositivos vestíveis com realidade aumentada? Você espera que nós, no futuro, iremos usar muito essa tecnologia ou trata-se de uma febre passageira?

Há muita empolgação em torno da realidade aumentada e da realidade virtual atualmente. A realidade, em si, ainda não atende a toda essa animação, mas esses novos meios imersivos estão aqui para ficar. Pode haver uma reação dos consumidores nos próximos um ou dois anos. Eles se tornarão partes das nossas vidas digitais, como os smartphones.

Em quais setores você imagina que existam aplicações para a realidade aumentada no Brasil? 

Essa tecnologia pode ser usada em qualquer lugar. Em linhas de montagem, os trabalhadores podem ver instruções detalhadas e novas camadas de informação que ajudam na realização do serviço. Imagine hospitais em que os pacientes podem usar seus smartphones para descobrir aonde ir para fazer seus próximos exames ou procedimentos (com uma linha virtual no chão indicando o trajeto), e ainda visualizar informações específicas para si próprios, em vez de instruções genéricas. Nas escolas, moléculas podem sair dos livros de química, dessa forma, ajudando o estudante a entender uma reação. As possibilidades são ilimitadas. A realidade aumentada é um novo meio, então, assim como o rádio e a televisão mudaram a sociedade, a tecnologia imersiva também a mudará.

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